* Cid Benjamin
Alckmin seria perfeitamente capaz, por exemplo, de nomear para a presidência do Banco Central algum deputado tucano presidente do BankBoston. E se, por acaso, este personagem enfrentasse processos por lavagem de dinheiro e remessa ilegal de recursos para o exterior, Alckmin seria capaz, também, de blindá-lo com o status de ministro, para lhe dar salvaguardas. Sem dúvida, o candidato tucano seria capaz disso. Ele seria capaz, ainda, da implementar uma política econômica que levasse os bancos a ter sucessivos recordes em seus lucros. Mesmo que, por causa disso, em conseqüência disso, faltassem recursos para as áreas sociais. Seu governo seria perfeitamente capaz de pagar num ano, a título de juros, 12 vezes mais aos especuladores no sistema financeiro do que o investido em saúde - tal como ocorreu no ano passado em nosso país. Ou, ainda, pagar de juros aos especuladores o equivalente a 24 vezes o que investiu em educação - tal como aconteceu com o governo brasileiro em 2005.
Não se duvide do mal que os tucanos podem fazer ao Brasil. Um governo Alckmin poderia perfeitamente retirar dinheiro da Seguridade Social e, depois, com a maior cara-de-pau, afirmar que ela é deficitária. E, aí, cedendo às pressões do FMI, fazer contra-reformas na Previdência, passando a cobrar dos aposentados. Ou, ainda, vetar reajustes para aposentados e pensionistas equivalentes aos reajustes concedidos ao salário-mínimo, com defendeu o PT ao longo de sua história. Com isso, pessoas que, por exemplo, contribuíram durante toda a vida sobre dez mínimos, em pouco tempo estariam recebendo cinco mínimos depois de se aposentar.
Que ninguém duvide da amplitude do saco de maldades do PSDB. Eles já demonstraram o que são capazes de fazer nos dois mandatos de FHC. Estivessem os tucanos no governo, poderiam, também, ceder às pressões das multinacionais e aceitar a invasão de transgênicos, sem quaisquer estudos independentes sobre suas conseqüências para a saúde das pessoas e para o meio ambiente. Ou poderiam ceder às pressões da TV Globo na questão da TV digital, mesmo que em detrimento dos interesses nacionais.
O PSDB seria, ainda, perfeitamente capaz de aprovar uma Lei de Falências que invertesse as prioridades de pagamento, deixando em primeiro lugar o pagamento das dívidas com os bancos e, só depois, as dívidas com os trabalhadores da empresa falida. Aliás, tentou fazer isso no governo FHC, sendo obstaculizado pela resistência do PT e da CUT, então na oposição.
Alckmin seria, também, perfeitamente capaz de fazer as alianças mais espúrias, loteando as estatais - como os Correios, por exemplo - para que um partido da base governista, ainda que de má fama, ali perpetrasse suas malfeitorias. Ou, ainda, seria capaz de aliar-se com o que há de pior na política nacional, como José Sarney, no Amapá e no Maranhão; Romero Jucá, em Roraima; Jader Barbalho, no Pará; Ney Suassuna na Paraíba; Severino Cavalcânti, em Pernambuco; Renan Calheiros, em Alagoas; Geddel Vieira Lima, na Bahia; Newton Cardoso, em Minas; ou Quercia e Maluf em São Paulo.
E o que é pior, poderia entregar a gente dessa laia ministérios e estatais, além de deixar a seu encargo as nomeações federais em seus respectivos feudos. Seria, realmente, um grave risco para o país. Que dos tucanos se pode esperar tudo, foi visto no governo FHC, quando compraram parlamentares para aprovar a emenda da reeleição. Não seria novidade se, com Alckmin no governo, houvesse suborno de deputados e senadores para engordar a base governista.
O candidato do PSDB seria capaz, até mesmo, de organizar um mensalão para comprar parlamentares. E não seria impossível que víssemos deputados, senadores, prefeitos e dirigentes do partido do próprio presidente da República envolvidos, por exemplo, na compra de ambulâncias superfaturadas. E que, apesar das provas, não fossem punidos pelo partido - assim como a senadora Heloísa Helena foi punida com a expulsão do PT quando se recusou a votar a favor da taxação de aposentados.
Alckmin poderia fechar os olhos para a corrupção, como aliás já fez o PSDB quando da farra das privatizações. Mesmo contra todas as evidências, dizer que nada sabia do que passava debaixo de seu nariz. E, pior: seu partido, o PSDB, seria perfeitamente capaz de oferecer legenda para que mensaleiros e sanguessugas tentassem a reeleição - ainda que isso escandalizasse a opinião pública. Enfim, seria realmente um grave risco para o país eleger alguém como Alckmin. Ou reeleger alguém capaz de fazer o que Alckmin faria.
Rio de Janeiro, 10 ago. 2006.