A reunião dos intelectuais e artistas com Lula, no Rio, destampou a panela da verdade. Quando dizem: "Os fins justificam os meios, mensalão não é crime" ou "Não estou preocupado com a ética do PT nem com qualquer ética. Isso não interessa; eu acho que o PT fez o que tem de fazer para governar o país...", esses bravos criadores de arte e pensamento estão trazendo à luz do dia, num ato falho espetacular, a verdadeira ideologia que orienta o PT.
Os petistas do governo ficam enrolando e, aí, vêm uns artistas ingênuos e abrem o jogo cuidadosamente escondido. Prestaram um serviço à verdade, porque muita gente boa repete, como robôs do Lula: "Sempre foi assim, corrupção endêmica, sobras de campanha, houve erros éticos, todos os partidos fizeram isso..."
Esta falsa explicação é enlouquecedora, porque ilude, elide a verdade meridiana que é a seguinte: não foi apenas um desvio "ético" ou uma "roubalheira tradicional". Não. Foi um plano armado para mudar o Estado por dentro, por um bando de sujeitos que se consideram "superiores" a nós, com a "missão" de usar a democracia para apodrecê-la. Ideólogos ignorantes e narcisistas tentaram mais uma "revolução" ridícula, que não rolou. Aliás, erram sempre e continuarão a errar. No entanto, é espantoso que gente que estudou e que come continue a achar que foi "caixa 2 ou desvio ético de alguns companheiros". A barra foi muito mais pesada. E pode voltar a ser.
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Sempre houve corrupção no Brasil? Claro que sim, mas o ladrão tradicional sabia-se ladrão, roubava em causa própria e se escondia pelos cantos para não ser flagrado. Os ladrões desse governo roubam de testa erguida, como se estivessem fazendo uma "ação revolucionária". Dizer que "sempre foi assim" é burrice ou má-fé.
SEGUNDO TEMPO
Não tem papo: Lula está reeleito. E, num segundo mandato, haverá uma obstinada tentativa de desmanchar os escândalos do chamado mensalão, desde os dólares na cueca até a morte de Celso Daniel e Toninho do PT, como já insinuam, dizendo que são "mentiras sobre supostos crimes sem comprovação...".
As chamadas "forças populares", que ocupam os 40 mil postos no Estado aparelhado, permanecerão nas "boquinhas" [...].
Arnaldo Jabor. Burrice no poder chama-se fascismo. O GLOBO, Rio de Janeiro, 29 ago. 2006, grifo nosso.