Eu gosto do que o Arnaldo Jabor escreve. Não concordo com tudo - pelo contrário, às vezes penso exatamente o oposto -, mas gosto do seu estilo e do jeito que ele defende suas idéias.
Do seu artigo da semana passada, intulado "A opinião pública ainda existe", discordei de muita coisa (a maior parte); mas no trecho que transcrevo aqui, logo abaixo, encontrei sintonia com meu pensamento antes de decidir meu voto do primeiro turno.
No segundo turno, como já manifestei aqui, votarei no Lula. Agora que só restaram dois, é "Lula de novo" ou o PSDB de volta.
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"[...] Se Lula fosse eleito de cara, ele começaria um governo do eu-sozinho, sem um programa que o segundo turno vai obrigá-lo a fazer; se eleito fosse, o PT e aliados se sentiriam num clima "revolucionário", os cutistas e sindicalistas estariam legitimados em suas sabotagens. O sabor de uma vitória em primeiro turno, com tudo ocultado, seria a vitória da violência contra a razão, se consagraria a idéia de que não precisava nem programa de governo, de que bastam as juras de amor ao "povo", as belezas do analfabetismo e a grandeza da "sagrada ignorância operária" para justificar um presidente.
Tudo que intelectuais e artistas ignorantes disseram, desde a "condenação da competência", desde a atribuição dos mensalões a "uma invenção da mídia", desde os brados boçais de dizer que "tudo sempre foi assim e que tem mais é que meter a mão na merda", que democracia é uma "patranha burguesa para enganar o povo", todas as besteiras impunes que ouvimos nos últimos meses estariam legitimadas, co-onestadas pelo voto bovino e consagrador. O segundo turno será uma psicanálise para o Lula, uma revisão crítica de seu deslumbramento milagreiro, como um Tiradentes ou um Cristo traído. O segundo turno será bom para o Lula voltar à humildade mínima [...]".
Arnaldo Jabor. A opinião pública ainda existe. O POVO, Fortaleza, 03 out. 2006, excerto.