Leia essa história contada hoje pelo jornalista e ex-seminarista Sebastião Nery:
"Padre Godinho, deputado da UDN, da Arena e do MDB, cassado pelo AI-5, imitava perfeitamente as vozes alheias. Uma noite, já tarde, toca o telefone no apartamento do padre Nobre, do MDB de Minas, em Brasília:
- É o senhor padre Nobre? Padre Nobre, aqui é dom José Newton, arcebispo. Li nos jornais que o senhor está na Comissão de Orçamento da Câmara e estamos precisando de ajuda para as obras de assistência aos menores da arquidiocese. O senhor poderia providenciar uma verba?
- Pois não, senhor arcebispo, com todo o prazer.
- Muito obrigado, padre. E receba minha bênção episcopal.
No dia seguinte, na Câmara, padre Godinho encontra padre Nobre:
- Nobre, sonhei com você, à beira da cama, recebendo uma bênção.
Padre Nobre ficou uma fera. Um mês depois, de manhã bem cedo, toca o telefone no apartamento do Padre Nobre:
- É o senhor padre Nobre? Aqui é dom José Newton, arcebispo.
- Vá à p... que o pariu, seu arcebispo de m...!
E desligou. À tarde, chega ao gabinete do padre Nobre, na Câmara, monsenhor Ávila, secretário do arcebispo:
- Padre Nobre, o que houve hoje cedo durante um telefonema do senhor arcebispo para o senhor, que ele passou mal logo que desligou o telefone?
Padre Nobre ligou aflito para o arcebispo, contando a história do trote de padre Godinho e pedindo desculpas. Dom José Newton ouviu e desculpou:
- Está explicado, padre Nobre. Bem vi que havia alguma coisa errada. Mas, padre Nobre, que linguajar pouco nobre nos lábios de um sacerdote!"
Sebastião Nery. Tribuna da Imprensa, 05 dez. 2006, excerto, grifo nosso.


Leia este blog no seu celular



