Reportagem d'O GLOBO de hoje:
Tropa em busca de sexo provoca polêmica
Notícia de que militares americanos vêm ao Rio atrás de mulheres leva secretário de Turismo a pedir providências
A notícia de que militares americanos que lutam na guerra do Iraque estariam vindo para o Rio atrás de mulheres causou mal-estar entre autoridades brasileiras e americanas. A reportagem do jornal britânico “The Guardian”, publicada no dia 18 passado, informa que cada vez mais soldados chegam à cidade em busca de diversão com garotas em boates. A programação faz parte de um programa de folga de militares americanos em regiões turísticas.
Criado em 2004 pelo Exército americano, o programa permite uma escapada da tropa das áreas de conflito por 15 dias, com transporte pago. Para o secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes, a reportagem dá a entender que a programação inclui turismo sexual de americanos no Rio.
— A reportagem deixa claro que o Rio entrou na rota de turismo sexual. Vamos apurar quem são os operadores que recebem esses americanos no Brasil e já fizemos contato com o Itamaraty para saber como esses vistos foram emitidos — afirma Eduardo Paes, que também pretende marcar audiência com o cônsul americano.
Medidas drásticas para combater problema O secretário disse ainda que, se ficar comprovado que há vôos charters voltados para turismo sexual no Rio, ele tomará medidas drásticas para combaterá o problema: — Em Fortaleza, proibiram a vinda de vôos charters da companhia Alitalia porque o público italiano era predominantemente masculino e vinha fazer turismo sexual.
De acordo com o “The Guardian”, uma das empresas responsáveis por este novo fluxo de visitantes para o Brasil é a Tours Gone Wild, com sede em Miami. A agência apresenta dezenas de fotos de brasileiras no site usando decotes em boates.
Algumas são fotografadas beijando na boca. Também oferece programas em clubes noturnos.
Apesar disso, não usam a palavra prostituição.
Ainda segundo o jornal, a agência admite que o número de soldados americanos no Rio quadruplicou desde o início da guerra no Iraque. Muitos deles aproveitariam — sem incentivo da operadora, mas também sem repressão — para conhecer boates em Copacabana e Ipanema.
O Consulado dos EUA no Rio confirmou que o governo americano financia períodos de descanso para seus soldados do Iraque, mas alega que não financia turismo sexual.
Fernanda Pontes. O GLOBO On-line, 23 jan. 2007, grifo nosso.